Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

One Missed Call/ Chakushin Ari (2003) Takashi Miike

Pensem em todos os filmes de terror contemporâneos e em todos os clichés mais sonantes...a avó morta, a mãe maluca e vingativa, o pai ausente, algo escondido no armário, estranhas convulsões, a pequena rapariga maléfica com longos cabelos pretos que aparece do nada, alguém que diz que está tudo bem que está tudo ok seguido de um momento de aparente paz estourando com algo ainda pior do que anteriormente visto, a explicação de que o mal tem origem numa morte qualquer...todos eles fazem parte de One Missed Call! É como se não houvesse argumento, como se simplesmente existisse um campo magnético que atraisse tudo a que se podia chamar de terror, até o momento em que nada fazia sentido e aí tudo estava a postos para ser filmado.

O filme tem as suas cenas interessantes e bem executadas, mas nada que justifique este falhanço que é uma mera curiosidade para pessoas que já conhecem o realizador.

A história é muito simples...os amigos de uma jovem estudante (Kou Shibasaki) começam a morrer de maneiras inexplicáveis, todas as mortes encontram-se associadas a enigmáticas mensagens no voicemail dos telemóveis das vítimas que prevêm a sua futura morte e as suas últimas palavras, ou seja os últimos momentos de vida das personagens já foram gravados e enviados por telémovel dias antes de acontecerem. A protagonista faz equipa com um sujeito introvertido (cuja irmã morreu sobre as mesmas circunstâncias), e juntos tentam desvendar o que esta por de trás destes pavorosos assassinatos.

O terror é um género muito sensível onde é muito difícil de se ser realmente genial, e actualmente os filmes infelizmente associados a este género vivem de rápidos e fugazes momentos assustadores; o ambiente é formulado como de costume para culminar com uma cena impressionante, mas as cenas vão e vêm e nada consegue suster a sua preparação com intensidade.

Já encontrei gente incrédula com esta banalidade de obra vinda do incontestado Miike, gente que chega mesmo a dizer que o filme não passa de uma sátira aos actuais filmes de terror maioritariamente asiáticos (filmes como o Ringo ou Ju-On), mas como é que uma paródia consegue por si própria tornar-se mais burra que o próprio objecto de gozo e exibir-se tão pouco como uma brincadeira? A paródia não devia ser obtusamente mais frustrante do que a base da sátira! Ainda assim fico em dúvida por diversos motivos tais como: o final do filme, um lindo, descabido e perfeito gozo ao desconhecido (é mesmo, não tem explicação possível o desfecho) e como é que o pai do meu adorado Ichi, The Killer não consegue estar ciente do aglomerado de clichés que recolheu?

A obra vai acabar por ter mais do que devia, pois One Missed Call é uma das obras com um dos propósitos mais enigmáticos que eu já vi. Mesmo que seja uma sátira o filme não deixa de ser mau e dispensável na carreira de Miike.

publicado por Diogo às 03:05
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