Sábado, 4 de Setembro de 2010

The Story of the Late Chrysanthemums/ Zangiku Monogatari (1939) Kenji Mizoguchi


O enredo, baseado numa lenda antiga, gira em torno de Kikonosuke (Shôtarô Hanayagi) um actor sem talento que vive da fama do seu pai Kikugoro (Gonjûro Kawarazaki), um celebre actor de Kabuki. Ao apaixonar-se por Otoku (Kakuko Mori), uma doce empregada que até ao momento fora a única a ser frontal e verdadeira com ele, Kikonosuke entra em choque com o seu pai acabando por partir de casa, com o objectivo de voltar como um grande actor por mérito seu. 

O casal é jovem, por isso correntemente tomam decisões compulsivas acabando por os condenar.

Passado em Tokyo-1885, este romance de tirar o fôlego retrata a paixão como néctar na auto-definição pessoal e como guia de forças de todas as metas e limites importantes a ultrapassar. O amor é retratado com beleza e com eficácia deixando transparecer o lado de amante e sobretudo o lado de amigo fazendo com que brotem fortes emoções como o sacrifício. Com mestria Mizoguchi divide o seu filme em três "níveis" - a nata do crescimento de uma verdadeira ambição associada sempre à impulsão de decisões o que nos levará para o segundo nível: a queda, a aparente perda de um ideal, a desistência dada como certa; terminando num melodramático terceiro nível: o sacrifico para que de alguma forma alguém no casal (normalmente o não sacrificado) consiga atingir a felicidade. Num tom poético-trágico a lírica narração de Mizoguchi antevê o terrível fado que plana sobre este casal, e o público apercebe-se desde o ínicio que a sua relação está condenada. A eloquência dos longos planos consegue genialmente realçar a emoção cravada em cada cena fazendo com que a intensidade dramática surja magicamente. Apesar de belo e trágico esta obra acenta numa mentalidade um tanto retrograde , sem explicação Mizoguchi despersonaliza a entidade da mulher; Otoku define-se como um mero colchão de aparo e nunca durante o filme a sua voz não rima com desassossego, reforçando a ideia de mártir e da mais que natural sacrificada no final da história.

Zangiku Monogatari, é uma belíssima obra controlada eximiamente por realizador preciso e obviamente enorme.

 

publicado por Diogo às 03:05
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