Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Suicide Club / Jisatsu Sakuru (2001) Shion Sono

Antes de começar a crítica sinto-me obrigado a apontar o que me levou a escolher Suicide Club como príncipal foco da maratona, essa razão chama-se Love Exposure, um épico com mais de quatro horas feito por um realizador muito peculiar que aconselho desde já a dar uma olhadela aos seus trabalhos, esse realizador é o japônes Shion Sono, autor desta mesma obra escolhida. Love Exposure foi uma experiência única e tanto por desafio como por curiosidade achei por bem escolher uma obra do mesmo autor para acrescentar ao cinco nomeados; fiz a escolha certa, mesmo indo com as expectativa altas, Suicide Club não me defraudou em nada!

Seguindo agora com a crítica. O que pensar de um filme em que a cena de abertura consiste num suicídio em massa (54 estudantes a mandarem-se simultaneamente para de baixo da linha do metro)? Sejam bem vindos a uma experiência única que não se define como gore nem outro ramo de terror. O caso é investigado por um grupo de detectives que julga haver uma causa oculta por detrás de tal acontecimento bizarro. No local do crime é encontrado um saco com um bocado de pele de cada uma das estudantes mortas (todos estes bocados cozidos formando uma tira enorme). Uma pista macabra que dá razão as suspeitas dos detectives. Começam suicídios em massa, normalmente associados a iniciativas de cópia ou por pura adrenalina(muitos alunos tentam mesmo bater recordes). O caso torna-se ainda mais irreal quando o número de suicidios aparece apontado num estranho site de origem desconhecida; por coincidência ou não estes "crimes" surgem associados a uma banda musical pop adolescente emergente, intitulada Desert, banda composta por raparigas a rondar os 12/13 (no filme dão-lhes 12,5) que canta músicas com mensagens escondidas entre as letras.

Suicide Club surge-nos como uma grande sátira mas tal como no Love Exposure gira por todos os géneros, passando pelo gore ao drama intenso, sem nós estranharmos! A trama desdobra-se em diferentes fragmentos e distracções que mesmo chegando ao fim não parecem compor uma linha de acção coerente. Com todos os seus momentos "acidentais" o filme revela uma fraca estrutura argumentativa; e perguntam vocês como é que de tanta indefinição surge um bom filme? A melhor resposta é "simplesmente vejam-no". Shion Sono chapa tudo o que quer e a sua mestria harmoniosa joga com todas as incertezas e defeitos do filme tornando-o sólido, podemos ter todos os argumentos possíveis para atirar o filme por terra abaixo mas ao fim do dia sabemos que gostamos do que vimos independentemente de tudo, e que na hora em que presenciamos certas cenas nada pareceu desencaixado nem tremido!

Shion Sono ainda tem tempo de explorar linhas expositivas mais profundas como a inocência adolescente, a falta de execução da lei e o verdadeiro poder dos ideais de cada um. Com cenas únicas e uma direcção genialmente confusa, Suicide Club torna-se num culto instantâneo. 

Um pormenor sem precedentes: no início do filme surge descontextualizado um suicídio numa empresa presenciado pelo guarda, episódio que só se volta a repetir pouquíssimas vezes durante o filme, será que tem alguma associação com a trama principal? À primeira vista sim, mas não; é apenas uma história de assombração em que uma mala possuída "obriga" as pessoas a suicidar-se. Podem achar parvo mas uma história de terror paralela ao filme com no máximo 3 minutos repartidos de duração para mim é delicioso!

Não, Suicide Club não é um filme gore mas ainda bem que nós fizemos de conta que era.

publicado por Diogo às 17:25
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