Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

Welcom to the Dollhouse (1995) Todd Solondz

Após uma obra de estreia pouco badalada por parte do controverso Todd Solondz, surge uma revigorante "segunda peça de estreia". Welcome to the Dollhouse, assume-se como a verdadeira entrada deste autor no mundo do cinema. Uma explosiva comédia negra que estuda a capacidade de sobrevivência de uma jovem inadaptada ao primeiro ciclo. Sem recorrer a elementos sensacionista e bombásticos como em Kids por exemplo, a obra evidencia à mesma um realismo desconcertante, aproveitando-se sempre do mais ínfimo pormenor e contorcendo-o com um humor perverso, a dor em expansão de dentro de uma jovem é sentido inteiramente pelo público.

A protagonista, uma pré-adolescente, Dawn Wiener (Heather Matarazzo) é uma infeliz rapariga dos subúrbios de New Jersey. A puberdade é para ela uma permanente luta contra a sua falta de beleza ou elegância. Dawn é espezinhada e humilhada tanto pelos rapazes como pelas raparigas da sua escola, e também negligenciada pela sua família.

A primeira grande cena poderosa, (transmite na perfeição irresolução desta perseguição maldosa) passa-se na cantina, onde a protagonista é acusada de ser lésbica sem fundamento e sem ter oportunidade de se defender; a vida à cruel e fica bem patenteado que este ódio nutrido pelos que a rodeiam não tem qualquer base moral ou sentimental, é por e simplesmente um incontornável sentimento de nojo!

A narrativa evolui como um catálogo dos infortúnios da protagonista: paixões, inveja, inseguranças e "retiros", esmiuçando cada detalhe desta difícil fase de transição. Solondz imprime com distinção a verdadeira temática deste filme ao não deixar que se transforme num mero sintoma de patinho feio, de facto, apesar de miserável Dawn nunca muda, nem pensa em tal.

O "material" é portanto da identificação de qualquer faixa etária, já que aqui não há acção nem mudanças simplesmente um suportar imenso de dor - aproveitando este aglomerado de tragédias, Solondz dá o toque que na minha óptica faz o filme; a obra caí num limiar perfeito e duro entre comédia fictícia e drama documental. Esta solídez desmesurável impede que o filme se desleixe em sentimentalismo ou que perca qualquer tipo de credibilidade.

Um filme com um sabor misterioso, já que a sua falta de "magia" e crueza impelem um estranho e balançado sentimento cómico-dramático. Uma bipolaridade treinada e domada. 

publicado por Diogo às 13:59
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