Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

Festen (1998) Thomas Vinterberg

Nunca levei muito a sério o movimento criado por von Trier e Vinterberg, o Dogma 95. Apesar de o ter considerado sempre um tanto frágil, obras como Idioterne e Julien Donkey-Boy são do meu agrado. O Dogma 95 é a matéria que está a ser dada na minha disciplina de Estética de Cinema, e hoje tive a oportunidade de ver na grande tela da sala de aula, o Festa; belíssimo filme! Ultrapassando o filme de von Trier e Korine a peça de Vinterberg assume-se sem contestação como o esteio deste curto movimento. 

A forma artesanal e "suja" característica dos filmes provenientes do Dogma assume este filme como se fosse o único casaco que este conseguisse vestir. Acabando de ver a obra não consegui mesmo tentando imaginar o filme contado de outra forma. O genuino propósito do movimento encontra-se todo ele sintetizado nesta obra e felizmente que ela é o Dogma nº1.

publicado por Diogo às 13:46
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

Tokyo Story/ Tōkyō Monogatari (1953) Yasujirô Ozu

E foi na ciclo da ESMAE que tive a oportunidade de ver "o meu primeiro Ozu". Foi brilhante, o drama caminha como um murmúrio e é neste silêncio teatral que este magnifico autor dinamiza todo o seu objecto de estudo e exposição. A família e o afastamento como elas são, uma falsa indiferença, delicioso.

publicado por Diogo às 23:37
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Sábado, 16 de Outubro de 2010

The Passion of Joan of Arc/ La Passion de Jeanne d'Arc (1928) Carl Theodor Dreyer

Hoje vi a Paixão de Joan de Arc e posso-vos garantir que se trata de um grande filme. Dreyer é provavelmente um dos realizadores histórico que maior interesse me suscita, "infelizmente" que esta foi a minha estreia nas suas obras. Quando digo infelizmente não tento denegrir em nada o seu trabalho, o que acontece é que a MONSTRUOSA interpretação de Maria Falconetti (protagonista) conseguiu retirar o foco sobre o trabalho do autor. A actriz é enquadrada durante todo o filme nos tipos de planos mais meticulosos que existem, o grande plano e por vezes o muito grande plano; uma façanha dificílima obviamente que com mestria e magia foi suplantada. É mais que óbvio que a fantástica realização de Dreyer não foi ignorada, todo o seu trabalho consegue potenciar o mais ínfimo lanho de emoção que cada interprete conseguisse transmitir, o problema é que eu me deixei hipnotizar por tamanha interpretação.

Planeio ver primeiro o Ordet e Vampyr, mas a seguir a tal a revisão desta grande obra é mais que certa! E nessa altura já conseguirei fazer uma apreciação um pouco mais multi-direcionada, espero.... 

publicado por Diogo às 21:01
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Aviso de novo


Tentei mas não consegui....com um horário não muito bom e com trabalhos de casa + lazer + ver filmes, era praticamente impossível conseguir manter um ritmo assíduo de uma crítica por dia, por isso a partir de agora e por data indefinida os posts serão escritos de uma maneira diferente, continuarão a existir criticas com pontuação mas em período de aula elas acontecerão esporadicamente, os posts serão apreciações descontraidas e até noticias de futuras estreias.

publicado por Diogo às 20:19
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Domingo, 3 de Outubro de 2010

Un Prophète (2009) Jacques Audiard

Condenado a seis anos de prisão, Malik El Djebena (Tahar Rahim) não sabe ler nem escrever. Chegando à prisão completamente só, tem um aspecto mais jovem e frágil que os outros reclusos (tinha 19 anos quando se deu a sua entrada). O protagonista cai nas mãos do líder de um gang corso, que domina toda a cadeia, e que lhe dá uma série de "missões" para levar a cabo, o que o transforma numa pessoa mais dura que, com o tempo se vai impondo na cadeia alimentar.

Antes de começar a minha crítica queria antes de mais nada avisar que não entrarei em comparações como "némesis" desta obra (O Laço Branco).

O último filme de Audiard Jr. define-se como uma espécie de Scarface dos tempos modernos, todo o thriller empolgante cresce à medida que a letárgica resistência existencial de Malik (semelhante a uma barata em sobrevivência) se vai transformando numa voraz fome por poder, o que permite que o filme se desdobre em duas distintas caras: o que parecia ser uma quase documental observação da vida prisional assume-se  como uma saga de gansters arrebatadora.

A revolução interior de um lacaio vai progredindo à medida que Malik se vê obrigado não só a lidar com corsos mas também com árabes (como ele), pretos e egípcios. A prisão é um mundo balcanizado dividido em grupos e ambientes hostis. A entrada abrupta do protagonista neste mundo deve se a uma grande explosão, à sua perda de virgindade assassina ainda por cima com o sangue de um árabe como ele, este seu primeiro "trabalho" permite que ele entre nesta dura cadeia "sobrevivêncial" e permite que duas grandes metáforas (que vão acompanhar todo o filme) surjam paralelamente: as aparições esquizofrénicas de Reyeb (assassinado por Malik) dão a cara da luta interior do protagonista e o verdadeiro cheiro dos seus ideais que poucas oportunidades têm de se manifestar; a formação académica que tem como impulso uma conversa orientadora por parte de Reyeb antes de este ver a sua garganta cortada, sempre que Malik vai subindo na pirâmide de poder na prisão é demonstrado consecutivamente o seu empenho árduo no "ensino" e as suas vitórias no "estudo". Ele ouve, aprende e tira proveito de todas as oportunidades. Ele evolui de um Árabe lamacento para um verdadeiro engenhoso líder (ele aprende a falar italiano devido à "convivência" com César é mais uma metáfora) a verdadeira análise deste filme é até onde a capacidade d adaptação de um homem pode chegar.

Audiard é bem servido tecnicamente, já que com o auxilio do director artístico Etienne Rohde (e o resto da equipa) consegue criar um claustrofóbico e labiríntico  ambiente de cela mas também uma "viagem" rica em exuberantes sensações naturais de quando Malik periodicamente tem liberdade.

Tahar Rahim é um dos grandes atributos deste filme, já que consegue capturar toda a ingenuidade transformada rapidamente num ímpeto visceral, a expressão cansada mas sem limites ambiciosos de Malik embrutecem o filme.

Fazendo uso da violência crua como a tentativa de esconder uma lâmina na boca (uma das minhas cenas predilectas) Jacques Audiard consegue criar um sólido filme de "entretenimento" (talvez não seja a palavra mais correcta) conseguindo reviver um género. A sua criação grita honestidade.


 


 

publicado por Diogo às 00:10
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Sábado, 2 de Outubro de 2010

Em breve: Tripla

publicado por Diogo às 01:47
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12 Angry Men (1957) Sidney Lumet

Um grupo constituído por doze jurados decide o veredicto de um jovem rapaz acusado de assassinar o seu próprio pai, ao princípio o caso parece de fácil resolução, mas um dos jurados (Henry Fonda) opõem se à condenação do assassino e aos poucos vai convencendo cada um dos outros onze de que nem tudo é assim tão claro.

12 Angry Men é a longa-metragem de estreia do veterano Sidney Lumet; e que estreia! A acção desenrola-se unicamente numa sala vulgar, constituida por uma mesa comprida e um certo número de cadeiras, um local vazio que rapidamente se deixa contagiar por uma nebula abafada composta pelos princípios intocáveis de cada jurado. A tensa atmosfera claustrofobica é desde logo uma perfeição sublime desta grande obra, o calor humano pinga e é neste taciturno clima que nasce toda a "acção", sim o argumento é de uma inegável qualidade mas é com este ambiente envolvente que o espectador se deixa apaixonar e se prende a cada tese dos intérpretes; considero este filme a par de Rear Window provavelmente a obra mais confortável que eu já vi. 

Estendido o "tapete" a acção brota com uma humana naturalidade a partir da origem antagonista da personagem desempenhada por Henry Fonda (uma bela prestação diga-se de passagem) com os seus argumentos um tanto rebuscados e sempre "manchados" de uma incontornável compaixão o jurado consegue aos poucos tombar a resistência, neste encenado improviso lentamente se vai revelando mais do que cada personagem quereria mostrar, toda a sua raiva e inconformidade parecem sempre de algum modo transcender o crime em estudo dando assim mais um pequeno empurrão para também as nossas teses serem engolidos por esta argumentativa sala. Mesmo tendo uma história simplificadamente original e uns tantos gritos de insatisfação social eu vejo-me forçado sempre a focar unicamente a aura calorosa com que o filme me recebeu. O maestral trabalho de câmara encontra sempre uma esquina nova na sala, sem entrar no cansativo durante uma hora e meia e mais uns minutos a sala ao invés de se "enfadonhar", cresce e torna-se mais receptiva. Este drama "refastelado" é uma das mais que obrigatórias definições de cinema puro, as aparentes limitações deixam-se malear facilmente por uma perfeita organização de planos e uma composição ambiental aconchegante. É assim que se conta uma história, é assim que se "desenha" ritmo.

Uma obra-prima!

publicado por Diogo às 00:01
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010

NOTA

O por não ter tido tempo de dar continuidade as minhas críticas, blog esteve inactivo durante uns tempos ajudando a que o número de críticas em atraso aumenta-se. Vou mais uma vez fechar os olhos à sua existência e começar em cheio com o mês de Outubro a criticar na hora os filmes acabo de ver. Deste mês para trás ficou o ciclo "alienar juventude" que foi um sucesso (visualizados: Welcome to the Dollhouse, If...., Bully, All About Lily Chou Chou, The Wild One e Rebel Without a Cause) obras que marcaram este mês como Casablanca e Chinatown e mais dois filmes da minha organização "29" sendo eles: A Noiva estava de Luto (Truffaut) e o Kagemusha (Akira Kurosawa), entre outras obras.

 

Mudei a definição de ciclo e vou começar a chamar tripla, dupla, etc... quando vir um certo número de filmes seguidos de um autor com o intuito de conhecer melhor a sua obra, ainda não organizei bem este mês mas já estive a pensar em rever o Stalker e ganhar coragem para ver mais obras do brilhante Tarkovsky, conhecer melhor Bresson, César Monteiro e provavelmente um maior estudo de Akira Kurosawa, John Ford e Guy Maddin, "29" continuara.

 

O blog está de novo aberto!

publicado por Diogo às 14:32
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