Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

Bubble (2005) Steven Soderbergh

Bubble é um projecto de baixo orçamento com pouco mais de uma hora de duração; concebido por Steven Soderbergh, este filme ganhou a imagem de "experiência" muito devido à sua distribuição/trailer tétrica e à utilização de actores não profissionais.

Situado numa pequena cidade, Bubble conta-nos a história de uma pacata mulher de meia-idade, Martha (Debbie Doebereiner), presa numa vida cheia de arrependimentos. A única coisa boa a que Martha se consegue agarrar na sua rotina diária é a sua paixão/amor maternal por um jovem colega de trabalho, Kyle (Dustin Ashley).

Mas com a entrada de uma jovem atraente, Rose (Misty Wilkins), nas suas rotinas, Martha sente que tudo aquilo a que ela se tem agarrado (Kyle basicamente) pode estar-lhe a escapar por entre os dedos, e mais cedo ou mais tarde terá de reagir.

Com a ajuda do argumento de Coleman Hough, Steven Soderbergh consegue levar-nos à essência da monotonia da vida destas três personagens, shots constantes das funções que cada um desempenha na fábrica de bonecas, a sós servem para nos transmitir essa sensação; monotonia essa que faz parecer com que as personagens se sintam em casa.

Com uns salpicos de uma banda sonora completamente descontextualizada que em nada consegue alegrar os ambientes cinzentos do filme (propositadamente mostrando assim a indestrutibilidade da monotonia), Bubble é um completo desprendimento de emoções, em que nenhuma das personagens consegue largar a expressão com a qual nasceu (esse nascimento é nossa primeira visualização de cada integrante no filme) nesse aspecto, o esperto Soderbergh tira proveito da inexperiência dos actores.

O filme é uma simples história de inveja e ciúmes mas sua execução á assustadora; quase que como articulados nesta trama, nós conseguimos a olho nu ver nos actores as semelhanças que estes têm com os bonecos que fazem na fábrica: a falta de expressão, a falta de vida.

Um pai caquético que come quando a filha o alimenta, que vive quando alguém o lembra disso.

Uma bebé que é jogada como um item dentro de uma discussão de um casal em ruptura sobre os seus pertences.

Um amor platónico (superficial sem pano de fundo) transformado numa profunda protecção maternal.

Exemplos de como as pessoas conseguem dar um propósito as pessoas como se fossem um objecto, uma necessidade/ um prazer, como que uma miúda-mãe de um simples nenuco.

Mas este filme cumpre na perfeição o seu propósito mas tem uma grande falha... não me deu qualquer tipo de prazer ou beleza ao vê-lo


publicado por Diogo às 17:07
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