Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

Kids (1995) Larry Clark

Numa abordagem crua, Kids arrasa com todos os filmes Hollywoodianos sobre a adolescência, ultrapassando novas vias na exploração do tema "Sexo e Drogas na Adolescência". Interpretado por adolescentes reais, e não por actores deslavados de Hollywood na casa dos 20, o filme transparece autenticidade e o seu impacto é amedrontador.

Instalado num abrasador dia de Verão, o filme estrutura-se como uma crónica que gira em torno da vivência de um grupo de miúdos de Manhattan durante 24 horas.

O filme abre com uma cena que nos da a conhecer tudo o que precisamos de saber sobre um dos protagonistas do filme - Teli (Leon Fitzpatrick), a cena de abertura é a demonstração da astucia de Teli no que toca à abordagem de raparigas, trocas de palavras meigas de um tarado viciado em virgens de 14 anos para uma inocente rapariguinha loira. Teli tira-lhe o que quer e o seu monologo surge depois da "acção" findar, monólogo este que ao abrir o filme também o fechará.

São tomados dois fluxos paralelos mas intimamente ligados, um deste fluxos narra a história de um grupo de adolescentes desnaturados que não fazem mais nada para além de beber, roubar e ficar cegos; o outro fluxo ocupa-se da história de uma jovem consciente, portadora do virus da SIDA, que passa o filme todo à procura do seu antigo e único companheiro para lhe contar que também ele é portador desta doença.

A obra desfaz-se por vezes em macacadas chocantes e despropositadas que marginalmente tentam entrar no campo artístico, falhando, sendo a meu ver o que mais peca neste filme: a sistemática necessidade de se afirmar como algo irreverente e artístico.

Eric Edwards dá ao filme uma qualidade de imagem que rasa sentimento de improviso, permitindo que o filme tenha um aspecto polido e estruturado mas ao mesmo tempo documental.

O filme toma um rumo de observador, já que os julgamentos são abolidos desta realidade, entregando o tempo de debate aos espectadores

Kids felizmente foi escrito por um miúdo (Harmony Korine, com 19 anos na altura), felizmente foi produzido por uma mente aberta e maleável à exploração da realidade dos jovens (Gus Van Sant) e infelizmente foi realizado por um fotográfo que apenas quer uma coisa, ser conhecido/ chocar independentemente da qualidade do seu produto. 

Este filme tinha que existir, e a adolescência tinha de ser posta pelo menos uma vez num campo tão hostil como em Kids, infelizmente Larry Clark foi um dos pais deste projecto

publicado por Diogo às 20:25
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2 comentários:
De Flávio Gonçalves a 26 de Junho de 2010 às 01:27
Discordo com a tua opinião e permite-me que te diga que ainda bem que Larry Clark abarcou em KIDS, essa genial (e obviamente controversa) obra, sobre a podridão da adolescência, mergulhada num desinteresse e aceitação niilista da vida completas. O Clark é naturalmente um marginal do cinema norte-americano, obcecado com o tema que lhe trouxe a fama com este filme, produzindo, e isso sim, filmes mais fraquinhos, mas de necessária visualização. Mas, aqui, assume-se como um profeta da era contemporânea, denunciando, com angustiante voyeurismo, o pior que o ser humano consegue ser, o circo de horror que ele próprio produz. Necessário e espectacular.
De Diogo a 26 de Junho de 2010 às 02:37
ele é um fraco

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