Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

On the Waterfront (1954) Elia Kazan

Passado nas docas de Hoboken, On the Waterfront focasse na exploração dos trabalhadores, na forma imperativa como este são calados e no completo medo em testemunhar.

Nos dias de hoje o que é mais arrebatador nesta obra que arrecadou oito Óscares nos seus dias, são os seus elementos não políticos que convergem numa manifestação jurídica (despindo a aparência de critica social), as brilhantes actuações (Marlon Brando num dos seus papeis mais emblemáticos), e o genuíno e tocante romance entre um rebelde agonizado e fragilizado, Terry Malloy (Marlon Brando), e uma inocente rapariga das redondezas, Edie Doyle (Eva Marie Saint).

Elia Kazan revela-se um mestre na direcção do actor, criando para além dos dois protagonistas, personagens que equilibram na perfeição a trama do filme: Johnny Friendly, o corrupto cabecilha da máfia local; Karl Malden, o padre egoísta que não consegue ter a influência nos trabalhadores que desejaria e Charlie the Gent (Rod Steiger), o irmão mais velho de Terry, aquele que o levou ao abismo.

Marlon Brando desempenha com mestria o papel de um homem preso na sua própria vida, o seu jogo de expressões faciais tornam-se tão memoráveis e icónicas como os seus gastos vestimentos. Arrisco em dizer que Marlon Brando não vestiu o papel de Terry Malloy, Brando criou Terry Malloy e a sua representação fixa-se como um dos maiores tesouros deste filme.

Saint, combina e contrasta a sua personagem na perfeição com a de Brando, criando uma sintonia de "dependência" entreos dois, um sobressai-se ainda mais com a força com que o outro desempenha o seu papel.

Esta obra retrata sobretudo a revolução interior, e a exploração de um eu adormecido, acordado por elementos externos (de novo inevitavelmente Brando a "necessitar" de Saint) a compensação do passado com a força do presente e o poder da redenção. O filme cresce à medida que o casal protagonista se vai descobrindo e moldando. Não sei se intrepertei mal, mas este filme retira força à igreja na hora da revolução por direitos humanos, a personagem do padre egoísta que tentava criar uma revolução revela-se descartável (propositadamente); achei isso genial já que apesar de algum tempo de antena esta personagem não consegue ter de todo nenhuma força sobre o fluxo ou as personagens e mesmo na cena final quando ajuda a fechar o pano, ficasse com a sensação de que está ali apenas um reparo com pernas, nós não necessitamos de forças divinas para batalhar com nós próprios e a total depencia entre Terry e Edie é a prova disso.

Uma das cenas mais emblemáticas deste filme (a cena no taxi entre os dois irmãos Malloy, citada no Touro Enraivecido) tirou me do sofá, e passados mais de 50 anos conserva todo o seu impacto tornando-se em algo imortal.

Um filme de inegável força e de inegável "conservação" um clássico obrigatório.



"You don't understand. I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am, let's face it."

publicado por Diogo às 02:46
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