Quarta-feira, 14 de Julho de 2010

Teorema (1968) Pier Paolo Pasolini

Um enigmático visitante dentro de uma família burguesa abastada, seduz a empregada, o filho, a filha, a mãe e o pai; partindo da mansão uns dias a seguir. Após a sua partida, nenhum membro da família consegue continuar a viver da mesma maneira que vivia no passado.

Teorema é uma alegoria dividida em dois actos que emerge o erotismo e a religião num contexto intemporal. Pasolini jogando sobretudo com o sexo, a igreja e as forças da sociedade emprega estes elementos como detalhes da sua evidente premissa, uma repentina revelação que possibilita a auto satisfação do homem consegue romper livremente com os limites mais altos da sociedade e dos princípios comuns. 

Pasolini com uma ideia inovadora transpõe a sua premissa para um lar de burgueses e faz de um estranho visitante o rastilho (a dita repentina revelação) para o descobrimento pessoal de cada um dos intervenientes.

A figura que Terence Stamp desempenha (o visitante) assemelha-se a uma terceira entidade sem partidos, não se fixando como um hipotético santo ou demónio, apenas um objecto divino sobre a forma de guia. A sua partida, como já referida altera a vida das suas "vitimas", que cria uma sensação de infelicidade e desamparo (os intervenientes sentem-se perdidos apesar de terem objectivos e crenças) agora que conquistaram novos valores. Apenas a simples empregada consegue ter forças para "sobreviver" e traçar o seu próprio milagre; este contraste surge como uma das maiores críticas do filme já que Pasolini nos dá a ideia de que nada na burguesia (apesar de bem intencionados) consegue ter sucesso fora dos campos sociais comuns e da moralidade.

O filme é um choque de ideias e um autêntico festival de alegorias que nos chapam a santidade de caras, sem rodeios sem a necessidade do choque brato cada cena é um quadro e o absurdo não é desmedido, com todos os componentes a harmonizar na perfeição; a mensagem desta obra apesar de para muitas pessoas não ser entendida, para todas as pessoas é sentida.

A redenção pessoal, e a reforma psicológica nunca foi tão vorazmente retrata como neste filme. 

Um filme magicamente lírico indubitavelmente honesto, sentido e pessoal. A fusão de tantos tópicos divergentes no chamamento à universalidade faz desta obra uma bela e justificável peça bizarra.

publicado por Diogo às 03:04
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