Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

On the Waterfront (1954) Elia Kazan

Passado nas docas de Hoboken, On the Waterfront focasse na exploração dos trabalhadores, na forma imperativa como este são calados e no completo medo em testemunhar.

Nos dias de hoje o que é mais arrebatador nesta obra que arrecadou oito Óscares nos seus dias, são os seus elementos não políticos que convergem numa manifestação jurídica (despindo a aparência de critica social), as brilhantes actuações (Marlon Brando num dos seus papeis mais emblemáticos), e o genuíno e tocante romance entre um rebelde agonizado e fragilizado, Terry Malloy (Marlon Brando), e uma inocente rapariga das redondezas, Edie Doyle (Eva Marie Saint).

Elia Kazan revela-se um mestre na direcção do actor, criando para além dos dois protagonistas, personagens que equilibram na perfeição a trama do filme: Johnny Friendly, o corrupto cabecilha da máfia local; Karl Malden, o padre egoísta que não consegue ter a influência nos trabalhadores que desejaria e Charlie the Gent (Rod Steiger), o irmão mais velho de Terry, aquele que o levou ao abismo.

Marlon Brando desempenha com mestria o papel de um homem preso na sua própria vida, o seu jogo de expressões faciais tornam-se tão memoráveis e icónicas como os seus gastos vestimentos. Arrisco em dizer que Marlon Brando não vestiu o papel de Terry Malloy, Brando criou Terry Malloy e a sua representação fixa-se como um dos maiores tesouros deste filme.

Saint, combina e contrasta a sua personagem na perfeição com a de Brando, criando uma sintonia de "dependência" entreos dois, um sobressai-se ainda mais com a força com que o outro desempenha o seu papel.

Esta obra retrata sobretudo a revolução interior, e a exploração de um eu adormecido, acordado por elementos externos (de novo inevitavelmente Brando a "necessitar" de Saint) a compensação do passado com a força do presente e o poder da redenção. O filme cresce à medida que o casal protagonista se vai descobrindo e moldando. Não sei se intrepertei mal, mas este filme retira força à igreja na hora da revolução por direitos humanos, a personagem do padre egoísta que tentava criar uma revolução revela-se descartável (propositadamente); achei isso genial já que apesar de algum tempo de antena esta personagem não consegue ter de todo nenhuma força sobre o fluxo ou as personagens e mesmo na cena final quando ajuda a fechar o pano, ficasse com a sensação de que está ali apenas um reparo com pernas, nós não necessitamos de forças divinas para batalhar com nós próprios e a total depencia entre Terry e Edie é a prova disso.

Uma das cenas mais emblemáticas deste filme (a cena no taxi entre os dois irmãos Malloy, citada no Touro Enraivecido) tirou me do sofá, e passados mais de 50 anos conserva todo o seu impacto tornando-se em algo imortal.

Um filme de inegável força e de inegável "conservação" um clássico obrigatório.



"You don't understand. I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am, let's face it."

publicado por Diogo às 02:46
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Terça-feira, 29 de Junho de 2010

Zombieland (2009) Ruben Fleischer


Zombieland instala-se nuns E.U.A. pós-apocalípticos, dois meses após uma devastação criada por zombies com a origem na doença das vacas loucas. Um aluno universitáio, Columbus (Jesse Eisenberg) dirige-se a Columbus, Ohio para averiguar se os seus pais sobreviveram à praga. Após perder o seu carro num acidente, esbarra-se com Tallahasee (Woody Harrelson) um homem rude (intitula-se exterminado de zombies) que se encontra numa demanda por Twinkies. Os dois sobreviventes viajam juntos e cruzam-se com duas irmãs aparentemente inofensivas mas que se revelam letais: Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin), partindo da discórdia e da incompatibilidade de personalidades e ambições o grupo cresce unido no meio de uma sangrenta matança de cadáveres vivos

Realizada pelo estreante Ruben Fleischer, esta obra marca para mim o inicio de uma revolução no cinema cómico. Desligado de justificações materiais (como arranjam gasolina, será que há mais sobreviventes, como sobreviveram as duas irmãs num mini-mercado com três zombies enormes lá dentro?) Zombieland assume-se como uma simples matéria bruta de entretenimento. 

As personagens são lineares e identificáveis com mais de metade dos elencos americanos, a história é uma simples desculpa e toda esta simplicidade torna este filme irresistivelmente desfrutável.

Contudo, julgo que o filme podia ter sido muito mais, e apesar de achar uma óptima ideia fundir o gore com uma história suave, a personagem de Jesse Eisenberg encontra-se a mais neste (não propriamente a mais, simplesmente pede substituto); esta irritante copia de Michael Cera (este actor por si também já irrita) consegue tornar qualquer cena em que se sobressai em algo enfadonho e estranhamente pouco natural, numa estranha mas bem feita fusão de géneros paralelos, Columbus é o único ponto forçado e a única parcela desencaixada.Sim é verdade que tem a sua piada colocar uma história convencional de amores e desamores adolescentes num ambiente apocalíptico mas vamos tentar não enfiar Junos por aqui a dentro.

Ainda assim o filme contem cenas e ambientes inovadores e completamente encaixados num bom entretenimento, destacando Bill Murray e a sua casa.

Não achei piada nenhuma à lista do Columbus; achei genial a panca pelos Twinkies, este amor transmitido por coisas pequenos deu me uma sensação de conforto óptima.

Considero este filme, um bom trabalho por parte das pipocas americanas apesar de não se ter erguido como podia.

 

As sequências do ínicio são lindas!

 


 

"I gotta take the Browns to the Super Bowl"

publicado por Diogo às 22:43
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Ciclo: Jim Jarmusch

É muito difícil, até se pode dizer que seja impossivel fazer uma critica global de um autor, por isso agora em cada ciclo vou simplesmente dizer a que é que me cheira e como o vou encarar um trabalho futuro do realizador em questão.

 

Cheiro: Tenho de admitir que partia com uma certa esperança de que este ciclo não me iria defraudar, ao ver o Dead Man achei que Jarmusch merecia o estatudo de motor independente do cinema americano. Mas após visualizar os quatro filmes que formavam o ciclo, só posso dizer que gostar gostar, não gostei de nenhum; a mediania do Ghost Dog ainda passa, mas obras sobrevalorizadas como o Stranger than Paradise ou o Night on Earth e a piada do Limits of Control, não me ajudaram em nada a construir uma boa impressão deste realizador. A minha ideia de que tudo que é dele está imbuído num clima superficial dificilmente me sairá da cabeça.

 

Trabalho Passado: Tenho uma certa curiosidade em ver o Mistery Train e o Down by Law, não é que nenhum deles esteja no topo da minha lista.

 

No futuro: Não posso dizer que agora aguardo ansiosamente os próximos trabalhos de Jim Jarmusch, só em último caso (se passar na televisão) é que me darei ao trabalho de ver uma nova obra sua.

 

publicado por Diogo às 15:40
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Domingo, 27 de Junho de 2010

Hausu (1977) Nobuhiko Obayashi

Surreal de mais para ser considerada uma obra para "crianças", Nobuhiko Obayashi projecta o seu trabalho por cima do sub-género de terror: casas assombradas, e torna Hausu num clássico da irrealidade extremista. À primeira vista Hausu tem tudo em comum com os filmes da sua família (até mesmo o nome). A trama gira à volta de um objecto (neste caso de um gato fantasma), um romance despedaçado dá origem à assombração, aparecimento tétrico de uma geisha, a mansão e o seu "aspecto humano" (personalidade do ambiente) e meia duzia de adolescentes arrebitadas equiparando-se até ao bando do Scooby-Doo. Graças à inspirada direcção de Obayashi, o conteúdo comum dá origem a algo jocosamente original.

A jovem Oshare e as suas amigas não sabem como iram aproveitar as férias da melhor maneira; depois de ferida com a chegada de uma nova madrasta Oshare decide passar uns dias fora de casa para poder descansar e estar mais em contacto com as memórias da sua falecida mãe, para tal decide ir visitar a sua solitária tia com as suas amigas a uma mansão nas montanhas. Já instaladas na mansão, com o decorrer das horas as jovens raparigas vão desaparecendo de diversas maneiras associadas sempre ás características que as definem (ex: Sweat, a rapariga viciada em limpezas é devorada pelos colchões que estava a limpar).

Um elenco tão simples dificilmente parece conseguir suster um filme interessante, mas a maneira como Hausu é desencadeado demonstra o lado avant-garde do projecto e o aspecto visual inovador em que se apoia, o filme transforma-se numa viagem louca em que sucessivamente as cenas conseguem-nos surpreender de diferentes modos. Obayashi usa descaradamente, um amplo arsenal de técnicas e efeitos especiais (muito muito rudimentares transformando o filme num eterno série B) tornando impossível o filme alguma vez atingir um ponto de "descanso". Ele aumenta o nivel de loucura de cada ambiente com as suas técnicas e usa-as como desculpa para destruir as inocentes heroínas das maneiras mais bizarras possiveis.

Cores psicadélicas, mobília com vida (vegetais também) e aquele maldito gato são alguns dos componentes que inspiram cada cena a atingir a originalidade e lançar a lógica para fora da janela.

O filme está carregado até à exaustão de pequenos pormenores "azeiteiros" (também situações), como as deliciosas cenas na varanda de Osahre com a sua nova madrasta (a forma foleira como o lenço da madrasta dança com o inexistente vento é tão ridículo mas tão genial!) ou a categorização dos grupo das aventureiras e os seus respectivos nomes, criando no grupo um poço de energias irritantes dando na hora da "execução" um toque de divertimento e prazer ao espectador. 

Como já referidos os efeitos especiais são do pior que há, mas Obayashi consegue sempre compensa-los com cada cena, tornando quase impensável haver um Hausu versão Cameron por exemplo.

O filme é demente e ilógico de mais para poder ser considerado assustador de uma forma convencional; quer dizer...o filme é demente e ilógico de mais para poder ser considerado de qualquer coisa convencional. O surrealismo estampado torna este filme uma peça "de terror" memorável.

Do género de filmes em que cenas como uma rapariga a ser triturada por um velho relógio conseguem ser consideradas das mais calmas e passivas. Quanto mais inexplicável mais "espectacular" o filme se torna. 

No final das contas Hausu não pode ser considerado um bom filme, mas é certamente uma obra que para se acreditar primeiro tem de ser ver.

O filme que me fez deixar de gostar do Mars Attack, dada à genuinidade que embarca este projecto asiático (à beira disto Mars Attack é um mero filme feito por um simples fã de série B).

O meu "pior filme favorito" até à data.


"FANTA! MELODY!"

publicado por Diogo às 22:34
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Sábado, 26 de Junho de 2010

The Texas Chainsaw Massacre (1974) Tobe Hooper

Este clássico (avô de todos os trastes do seu género da actualidade) conta-nos a história de um grupo de jovens amigos que numa viagem ao campo se cruzam no caminho de Leatherface (Gunnar Hansen) o protagonista do filme e a icónica personagem da história do cinema de terror. 

Desde a sua estreia em 74, desenvolveu-se à volta de Tobe Hooper a reputação de se tratar de um autor horrificamente violento, acusações de que este assentava os seus projectos maioritariamente no campo do cinema "gore". Uma reputação de todo injusta; de certo que um pouco de sangue no meio da história de cinco adolescente que por azar se dão de caras com uma família de canibais assassina não soa desencaixado. Hooper não é nenhum realizador sedento de sangue (pelo menos não neste ponto da sua carreira), já que a grande parte da intensidade do filme (antigida sobretudo na última meia-hora desta obra) deve-se muito pouco à cor vermelha. O autor consegue numa junção perfeita de elementos a criação de um filme e de uma atmosfera perturbadora que se tornaram imortais ao longo dos anos; personagens sinistras sem serem exageradas (completamente no ponto), o trabalho da câmera está fenomenal e o aroma a independente (esta obra é uma produção de baixo orçamento) dá uma cor de filme "snuff" completamente genuina; ou seja, os elementos são expostos e a sua junção é perfeita, os ingredientes estão todos lá para o terror correr por entre as paredes, e sim...o terror corre!

O filme culmina com um final gracioso e lendário e felizmente que ainda não vi nenhuma cópia; a mente de um cineasta independente consegue sempre "sacar" deste súbitos e marcantes tesouros visuais.

Este género de filmes infelizmente foi manchado pela incapacidade de execução de grande parte dos autores, e na forma fácil, barata e "enclichezada" a que se modelou. O Massacre no Texas é um dos poucos grandes triunfos do cinema de terror e é sem dúvida a "fonte de inspiração" para muitas da bodegas que por ai correm. Infelizmente um género que há muito foi abandonado (o triste e insultuoso remake desta obra é prova disso).

 

Um tatu morto virado ao contrário a abrir o filme é manobra de génio. Tobe Hooper sintetizou o filme e o género da maneira mais crua, universal e sobretudo simples! E é isso que o cinema (não só o de terror) tem de ser, intuitivo e forte na transmissão imediata das suas ideias, o terror é apenas um estado desta arte.

publicado por Diogo às 14:08
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Limits of Control (2009) Jim Jarmusch

Olá, eu sou o homem dos Limites do Controlo. Não vos posso contar o meu nome, já que o guião não me atribuiu um. Não há espaço para tantos detalhes em 116 minutos. Chamem-me o Homem sem Nome. Eu vagueio pelas ruas de Espanha, falando o menos possível, tal como o Clint Eastwood fazia nos seus filmes que eu gostava tanto de ver quando era pequeno. Hoje em dia som um homem elegante, exótico, fixe, impenetrável, misterioso, calado, frio, enigmático, passivo e estóico. O que me define são os pequenos pormenores que eu permito vocês conhecerem, pormenores deliciosos como eu pedir dois expressos em diferentes chávenas, comer o papel depois de ler e ter manias sem fundamento como a extinção de telemóveis ou armas.

Esta descrição do protagonista de Limits of Control (intrepertado por Isaach de Bankolé) consegue de um modo perifrástico denunciar os maiores defeitos desta obra falhada.

Escolhi este filme para fechar o meu ciclo, por se tratar de uma das obras realizadas no novo século por Jarmusch, e por eu não o ter conseguido ir ver no cinema (felizmente) também por ter a participação do talentoso Christopher Doyle (cinematografia). No primeiro quarto de hora do filme, ainda sem opinião formulada, vi-o filme como uma experiência profunda e intuitiva de um homem puro e da sua conecção com o objecto e o arredor, pareceu-me uma ideia muito boa e Isaac estava a interpretar uma entidade desprendida da humanidade perfeitamente; num ritmo lento deduzi que todo o filme se desenrolaria de uma forma contemplativa e com pouca explicação cerebral mas recheada de teorias sensacionista, ou seja usar o cinema no seu climax. O filme é muito menos que isso,Isaac como já referido é um hitman barato com uma missão falsamente oculta (metáfora), porque durante todo o filme temos Jarmusch a disparar a palavra "aparentemente" sucessivamente ao nosso ouvido; o filme está mergulhado num jogo barato de conceptualidades em que cada interveniente que se dirige ao hitman negro represente de certo modo uma arte e o ajuda a chegar mais próximo do capitalismo e de uma forma de o fazer tombar. Sim o filme consegue descair no campo da intervenção (muito foleiro). Jarmusch faz deste filme o exemplo perfeito de como o cinema não deve ser, cheio de conceptualidades que só podem ser reveladas pelo trabalho mental do espectador; só os amadores deixam conceptualidades no estendal, um mestre faz das suas conceptualidades o seu ambiente e algo completamente intuitivo e carregado de força.

Sem dúvida um dos filmes mais pretensiosos, mais pseudo aritisticos e intelectuais, mais falhados que eu já vi, a pior obra visualizada durante o ciclo.

Não consigo continuar a crítica já que tudo nele (sem contar com a fotografia) é mau e falhado.

publicado por Diogo às 03:42
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Night on Earth (1991) Jim Jarmusch

Passando para uma nova década em que Jarmusch também teve a sua influência (sem se equiparando ao estrondo dos anos 80), achei por bem escolher um filme dessa mesma década para conhecer melhor o percurso deste realizador em estudo; a minha escolha recaiu em Night on Earth que pareceu ser bastante interessante, visto que explora o carro como um catalisador de intimidades e como uma dimensão privada gerada no momento.

Enganei-me redondamente, Night on Earth ainda consegue ser mais rebaixado por mim do que o Stranger than Paradise (e o pior ainda está para vir...).

Cinco histórias paralelas, em cinco taxis, numa noite, em cinco cidades diferentes: isto é a obra (e não estou com isto a querer desmantela-la... para já).

Jarmusch podia, acredito até que queria, levar-nos a um lugar onde nunca nenhum autor nos levou antes, o filme quase que podia tomar uma forma terapêutica, já que como eu referi o carro consegue criar uma atmosfera tão aconchegante como hostil mas sempre concentrada, dando ar de um espaço criado pelos olhares, feições e expressões dos intervenientes.  Ao invés, Jarmusch chapa-nos cinco histórias aleatórias sem força que por acaso se passam num táxi, o ambiente nunca atinge a intensidade que poderia nem ganha a cor própria que deveria ganhar. 

O "requintado" realizador ainda quer dar um ar de graça à coisa e torna o filme muito mais internacional (é falado em três línguas diferentes) uma manobra de desespero para transmitir o caracter universal que não soube transmitir com os cinco táxis e os seus passageiros.

As cinco histórias são de rir e eu não vou resistir em relatar a minha predilecta, mas jocosamente vou primeiro narrar as outras quatro "deliciosas" tramas:

. 2ªhistória - Etnias, alemão velho fofo também é um taxistas que não sabe guiar, cliché de avô fofo, história direccionado às etnias e ás dificuldades dos emigrantes (vou começar a dar mais valor ás coisas agora, prometo Jim)

. 3ªhistória - Preto taxista com passageira cega, trata-a como uma coitada e aos poucos vai se apercebendo que ela não é menos que ele; no fim é dada uma lição de moral ao preto (até chorei, Jarmusch tu tens tanta razão! seu Ghandi mas como muito mais estilo)

. 4ªhistória - Parte cómica do filme, italiano taxista admite ao seu passageiro (que era um bispo) que tivera relações com uma abóbora, uma vaca e com a sua cunhada

. 5ªhistória - Na Helsinkia um taxista compete com um dos seus passageiros para ver quem tem a vida mais deprimente (mas que raio!)

Passando (agora) para a primeira história que para além de "azeiteira" (desculpem o termo), tem duas personagens que nasceram do cliché e que se complementam uma à outra na base da antítese, e o melhor de tudo é que no fim há uma lição de moral (OH YES! Jim porque é que não foste meu professor na primária?).

Wynona Ryder (a emo do Bettlejuice) é uma maria-rapaz sem modos que leva no seu taxi uma célebre senhora do mundo do cinema, de momento esta mesma estava a trabalhar num casting para um filme que seria um grande êxito. Pronto, pronto, pronto, resumindo esta triste história: a genuinidade da taxista abre os olhos à requintada mulher que chega mesmo a convida-la para fazer parte do filme, Wynona recusa na hora dando uma grande lição de vida à sua passageira (mais boas energias a pairar no ar, BOA!).

Com um potencial tremendo este filme não é nada mais nada menos que uma autentica anedota com lições de moral pelo meio, a quarta história para além de meter piada conseguiu (sem contar com o fim) ser fiel ao que eu julgava ser o princípio de criação deste filme (esse principio foi infelizmente inventado por mim, já que o realizador esteve mais preocupado em adoptar um miúdo da Etiópia), é sem dúvida a única parte que se aproveita nestas duas horas...de moral.

publicado por Diogo às 02:40
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Stranger than Paradise (1984) Jim Jarmusch

(Voltando ao Ciclo planeado para este mês)

Stranger than Paradise é uma das primeiras obras de Jarmusch e provavelmente a que mais o notabilizou como um peso pesado do cinema independente americano.

O filme plana todo num ambiente perfumado a independência e esta obra é considerada um marco histórico no cinema de baixo orçamento.

A história está dividida em três actos e consiste simplesmente na ida de dois amigo a Cleveland visitar a prima de um deles. Propositadamente minimalista o enredo é só uma forma de justificar as cenas e o seu propósito, já que ocultamente o grande objectivo do filme é mesmo só brincar com a intensidade de ambientes e com a forma como estes contagiam o público, transmitindo uma aparente realidade palpável e reconhecivel.

Cada cena é filmada num só take de um só ângulo e a separação destas mesmas é feita por "fade ins" e "fade outs".

Eu sinceramente sinto-me um tanto burro ou deslocado por ser a única pessoa no mundo que desvaloriza a suposta obra-prima de Jarmusch. Encontrei críticas que chegavam mesmo a elevar a obra a um patamar histórico; agora eu achei o filme uma autêntica brincadeira e sem a mínima dúvida que Stranger than Paradise é até hoje um dos filmes que mais me faz acreditar que a arte é de facto muito relativa.

O filme não deslarga aquele ar estudantil forçado; as interpretações são de rir: John Lurie é um badass com classe (ao menos tenta) que nunca para de mastigar broa (é o que aparenta) e Eszter Balint é ridícula e completamente irritante, um diálogo entre os dois protagonista que ocorre à porta do apartamento fez me rir muito (consegui decorar o diálogo e tudo), quase que parecia propositado, tudo tão mal dito tudo tão mal encaixado tudo tudo falso!

Pronto a ideia da câmara estática e tudo num só take com os fades a recolocar as cenas tem a sua piada, mas por amor de Deus! Todo o filme!? as cenas desrespeitam-se umas a seguir ás outras consecutivamente, Jarmusch encorna as cenas.

E pouco me importa que seja tudo parte da experiência visual inovadora; Jarmusch conseguiu simplesmente retratar o enfadonho de uma maneira enfadonha e fazer tudo isso parecer algo extremamente "cool" e sedutor. É uma piada, é mesmo uma piada as pessoas dizerem que Jarmusch apenas colocou uma janela e que tudo que nós vemos é a poesia da realidade, tudo parece tão natural e vivo (!?) (é uma encenação com um propósito óbvio!)

Tudo parece falso, tudo parece ter um rumo, nada parece minimalista pois o seu objectivo é claramente transcendental à história, vê-se a quilómetros que o fluxo de história é guardado na gaveta (propositadamente).

Stranger than Paradise tem o seu valor e é o suor de alguém que tentou fazer algo novo com o que pôde, a isso tiro o chapéu, mas só a isso!

O filme está manchado de cenas que apetece meter o dedo na boca e revirar os olhos, cenas como a adolescente húngara a dançar com um cigarro na mão, cambaleando ao som da música (mas que cuel/cool!).

Mesmo assim esta obra não é um total desperdício de tempo, e é sem dúvida um bom tema de discussão, já que conseguiu hipnotizar meio mundo de cinéfilos menos a mim.

Concluindo: Um filme a rever e a mastigar

publicado por Diogo às 00:38
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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

Kids (1995) Larry Clark

Numa abordagem crua, Kids arrasa com todos os filmes Hollywoodianos sobre a adolescência, ultrapassando novas vias na exploração do tema "Sexo e Drogas na Adolescência". Interpretado por adolescentes reais, e não por actores deslavados de Hollywood na casa dos 20, o filme transparece autenticidade e o seu impacto é amedrontador.

Instalado num abrasador dia de Verão, o filme estrutura-se como uma crónica que gira em torno da vivência de um grupo de miúdos de Manhattan durante 24 horas.

O filme abre com uma cena que nos da a conhecer tudo o que precisamos de saber sobre um dos protagonistas do filme - Teli (Leon Fitzpatrick), a cena de abertura é a demonstração da astucia de Teli no que toca à abordagem de raparigas, trocas de palavras meigas de um tarado viciado em virgens de 14 anos para uma inocente rapariguinha loira. Teli tira-lhe o que quer e o seu monologo surge depois da "acção" findar, monólogo este que ao abrir o filme também o fechará.

São tomados dois fluxos paralelos mas intimamente ligados, um deste fluxos narra a história de um grupo de adolescentes desnaturados que não fazem mais nada para além de beber, roubar e ficar cegos; o outro fluxo ocupa-se da história de uma jovem consciente, portadora do virus da SIDA, que passa o filme todo à procura do seu antigo e único companheiro para lhe contar que também ele é portador desta doença.

A obra desfaz-se por vezes em macacadas chocantes e despropositadas que marginalmente tentam entrar no campo artístico, falhando, sendo a meu ver o que mais peca neste filme: a sistemática necessidade de se afirmar como algo irreverente e artístico.

Eric Edwards dá ao filme uma qualidade de imagem que rasa sentimento de improviso, permitindo que o filme tenha um aspecto polido e estruturado mas ao mesmo tempo documental.

O filme toma um rumo de observador, já que os julgamentos são abolidos desta realidade, entregando o tempo de debate aos espectadores

Kids felizmente foi escrito por um miúdo (Harmony Korine, com 19 anos na altura), felizmente foi produzido por uma mente aberta e maleável à exploração da realidade dos jovens (Gus Van Sant) e infelizmente foi realizado por um fotográfo que apenas quer uma coisa, ser conhecido/ chocar independentemente da qualidade do seu produto. 

Este filme tinha que existir, e a adolescência tinha de ser posta pelo menos uma vez num campo tão hostil como em Kids, infelizmente Larry Clark foi um dos pais deste projecto

publicado por Diogo às 20:25
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Quinta-feira, 17 de Junho de 2010

The Big Lebowski (1998) Joel Coen

Considero O Grande Lebowski, como aquele género de filmes que sucede (falhando) uma obra de muita maior qualidade por parte do meus autor(es), neste caso isso acontece com Fargo (1996).

O Grande Lebowski, é um pseudo thriller virado quando pode para a exposição de problemas sociais e morais. 

A minha última frase está incompleta já que o filme faz questão de ser pseudo e de aparentar tal, por isso é que a falta de genuinidade, é a meu ver um dos grandes "handicaps" do filme. A obra desenrola-se (ás vezes metendo piada) entre cenas sem sentido, personagens singulares e uma linha de história que se perde no absurdo... tudo propositado tudo à imagem dos realizadores e do seu estado de espirito que se fundem na personagem de Jeff Bridges - The Dude; dando ao filme um cunho pessoal. 

O absurdo camufla-se por entre o pacato, já que tudo neste filme é por e simplesmente "vulgar". Não se pode dizer que seja um policial, mas a obra monta-se usando as regras deste género: narrador em voice off, raptos, desaparecimento de dinheiro, cabecilhas com poder e brutos capangas, mulheres sedutoras, figuras ilustres da sociedade com motivos obscuros e voltas e trocas na diagése da história (os chamados twists nos thrillers). 

O filme está recheado de cenas de puro entretenimento, mas sem carregar qualquer tipo de comentário no seu interior, resultando num trabalho em que as piadas momentâneas desaparecem quase de imediato à cena sem deixar qualquer tipo de ressonância. As cenas parece que abandonam o filme quando são fechadas isto tudo devido à insistência em fazer do filme um objecto sem importância nenhuma.

Não achei piada nenhuma a Walter (John Goodman, umas das almas do filme), um dos compinchas de bowling do The Dude, que aleatoriamente ia introduzindo as suas manias no contexto de cada cena (manias: Guerra do Vietname e a sua ex-mulher); personagem que muito disfarçadamente também só servia para atiçar (e apagar) a piada momentânea das cenas que lhe competia - usei Walter como um exemplo global, todas as personagens por mais indispensáveis que pareçam não passam de maquilhagem (menos The Dude que foge à regra).

Resumindo, os Coen quiseram fazer um filme despreocupado e demonstrar ao público que de facto o era, para isso fizeram de The Dude (um nome que sintetiza toda a aura e posição que o filme toca) a sua persona, o seu interveniente para dar rumo a esta despreocupação amontoada; a história por si é um acessório e as personagens são condimentos momentâneos.

Percebo porque é que este filme já é de culto, e não me parece um amor sem nexo, pena é não me ter enchido o olho, pena também eu ter levado a despreocupação à letra e não ter conseguido encontrar charme em nada do que visse.  

 

Não achei piada nenhuma à morte despropositada de Steve Buscemi.

publicado por Diogo às 14:25
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