Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

Bully (2001) Larry Clark

Nesta sua terceira longa metragem, Larry Clark continua com o seu estudo característico que incide na putrefação dos ideais da juventude dos dias de hoje. O guião baseado na obra de Jim Schultze, relata um assassinato verídico ocorrido em 1993, no qual um rapaz abusador (género bully) é morto pelos seus amigos inconformados e revoltados com as suas maneiras de proceder.

Desta vez a pressão em torno do projecto era muito maior; quando o irreverente Kids surgiu, surgiu como um "outsider", uma ácida obra inovadora; enquanto que em Bully para além de se revelar a verdadeira oportunidade de afirmação de Clark, suporta também o culto do que o antecede e um teor muito delicado já que é extraído de factos reais (a obra acabou mesmo por não concorrer a nenhum festival).

A acção decorre na Florida e a história concentra-se na relação de dois "amigos": Marty, um tímido e inseguro surfista (Brad Renfro) que é constantemente espezinhado e humilhado por Bobby (Nick Stahl) um snobe e autoritário novo rico. Num impulso inconsciente, Lisa (Rachel Miner) sugere o homicídio do bully, esta ideia é recebida de braços abertos por amigos seus, alguns deles nem nunca viram o dito rapaz na vida e obviamente que não têm nada contra ele. 

Apesar de uma certa intenção contestativa, Bully falha da mesma forma que as obras do autor anteriormente o fizeram: o insaciado voyeurismo não permite que o filme expluda deixando-o a pairar, por conseguinte o filme revela-se despreocupado de mais para ser considerado uma obra de ficção ou falso de mais para ser visto como documental. Mais uma vez a narrativa de Larry Clark joga com o aparente improvisado melodrama e o olhar "mirone" quase fotográfico dos seus intérpretes. 

A moralidade não é amiga deste autor e eu não o afirmo num tão de desdém, ele podia perfeitamente jogar com os seus princípios e criar algo, mas não é isso que acontece, toda a "criação" de Clark baseia-se num voyeurismo desejado/moldado e nem sempre humano ou real, se não como se explica os jovens adolescente passarem o dia nus ou drogados? Fico em dúvida se isto se trata de um estudo sobre a juventude ou de puro fascínio pela marginalidade.

Mas como eu tento sempre ver todas as funções de cada ferramenta, apercebi-me também que apesar de o condenar, esta abordagem "obcecada" em parte eleva o filme para o verdadeiro espectáculo que é a mente de um jovem troglodita, isto não são meros delinquentes...são fantasmas em ácidos o que dá um certo charme ao filme (mesmo assim não o salvando, interessante digamos). Apesar de nesta obra o flagelo ter outro tom revigorante, o autor perde a oportunidade de ir além do documentário chocante que foi Kids e envergar por um drama objectivo sem perder os sais irreverentes, mas o voyeurismo é um vício!

É mais que óbvio que um dos pontos reconhecidos em Larry Clark é a sua crueza, o problema é que sendo assim os seus objectos de estudo não podem ser limados nem espremidos e a verdade intuitiva confunde-se com puro choque daí a minha principal empatia para com este autor ser o seu verdadeiro propósito e até aonde vai a sua sinceridade para com o cinema. 

publicado por Diogo às 01:28
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Domingo, 19 de Setembro de 2010

Cat Soup/ Nekojiru-so (2001) Tatsuo Sato

Quando a alma de Nyakko é roubada pela morte, o seu irmão mais novo, Nyatta, embarca numa bizarra demandada para a recuperar. Num pano de fundo confundível com sonho. Já no "outro mundo" o pequeno herói e a sua irmã inanimada encontram personagens fantásticas e tramas por vezes perturbantes.

Esta obra de quase inexistente diálogo e de difícil interpretação já foi acusada de ser uma espécie de Hello Kitty em ácidos. Não é só a sua faceta impenetrável que congela o filme, já que mesmo ignorando qualquer tipo de conceptualidades nós embarcamos "obrigatoriamente" nesta aparente viagem de fadas, o que faz dela um natural irradiar de fantasia. A simplicidade da banda sonora ajuda a elevar o teor hipnótico da quase inexistente emoção, instalando uma aura aterradora de volta deste recreio de pesadelos.

A loucura não é por si um significado de qualidade, apenas uma ferramenta arriscada mas te alto potencial criativo.Nekojiru-so é a pura demência! Quando falo num ambiente vil não me refiro a um suposto tetricismo junto à delicadeza dos intérpretes...há violência e a falta de sanidade da equipa de direcção é explicita.

O que torna este filme ainda mais estranho é a forma quase violadora como ele nos aborda, com uma dureza sem comparação o filme desenha-se como um leve e impalpável sonho revistindo-se de uma camada que eu só vi em obras de Dali.

Não encaro esta obra como um filme mas sim uma aventura; nós somos obrigados a nos entregar a esta viagem e a explorar algo que jamais fizemos. Uma experiência única e diferente de qualquer outra já alguma vez imaginada. Um sonho.

 

publicado por Diogo às 17:27
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If.... (1968) Lindsay Anderson


Já lá vão mais de 40 anos que If.... chocou e abalou a sociedade britânica. Antecipando-se à revolução de 68, esta obra apontada por um embaixador da época como um insulto à nação e uma criação que jamais deveria ver a luz do dia, é considerado por muitos até à data possivelmente o filme que melhor retrata o chocar de uma rebelião.

Resguardando possíveis represálias, Anderson e Sherwin (co-argumentista) abstêm-se de qualquer critica concreta e focam-se na ficção através de uma escola que espelha na perfeição a mentalidade conservador típica da época.

O revolucionário de serviço é Mick Travis (Malcom McDowell, como é de denotar não só célebre pelo culto laranja) um típico inadaptado que contradiz todas as regras.

Como adoro cenas capazes de sintetizar o desejo de um filme não resisto em referir uma: revestido por uma escura capa que cobre quase toda a sua face, Travis retira-a na frente dos seus mais fiéis amigos: Wallace (Richard Warwick) e Johnny (David Wood) para mostrar o "maduro"e ilícito bigode preso à sua face, à medida que se vai despedindo de um "adereço" ilegal na constituição frequentada o protagonista pensativamente diz - "My face is an endless source of fascination"; com esta cena o verdadeiro valor do filme paira, paira tanto a sua cor provocativa como uma enigmática aura de fascínio pelo contraditório como génese da revolução.

O cinematografo Miroslav Ondricek utiliza uma combinação de longos planos filmados à mão (sem tripé nem acessórios de apoio) para criar uma visão sociológica deste mundo subtilmente satírica. A técnica mais eficaz é quando se passa de filme a cores para preto e branco aleatoriamente, uma técnica deliberadamente provocativa já que demonstra a robustez burocrática do mundo real e o aprisionado "eu" livre expandido a ideia de entrave social que origina o descontentamento que futuramente evoluíra para uma revolta.

A obra está dividida em 8 capítulos, a primeira função é estabelecer as tradições da vida escolar ("Return", "Term Time") e depois como o sistema molda as principais personagens ("Discipline"), e radicaliza-as ("Resistance", "Forth to War"). Esta estrutura atinge o seu apogeu no quarto capítulo ("Ritual and Romance"), um interlúdio poético que se torna o maior suco visual da obra, fase do filme onde as personagens aproveitam livremente a sua juventude antes de serem punidas pelo chicote do poder.

If.... ganha ainda um maior "corpanzil" ao chocar o público com uma cena final guerrilha, que vai ao encontro da dureza da convenção: a mentalidade não muda de um dia para o outro, um país não se reergue em minutos; daí a beleza ingénua da revolução se definir como uma elipse ao não se conseguir completar ciclicamente nem respeitando a sua sobriedade, a fragilidade da mudança é o que resta num mar de sangue de desespero. 

 


 

"There's no such thing as a wrong war. Violence and revolution are the only pure acts." 

publicado por Diogo às 15:32
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Sábado, 18 de Setembro de 2010

Alice in Wonderland (2010) Tim Burton

Alice in Wonderland de Tim Burton é uma continuação imaginada a partir da célebre obra de Lewis Carrol. O filme desenrola-se como um típico cliché infantil, Alice a ingénua Alice é também uma jovem heroína predestinada a trazer paz a um mundo distante do seu e que aparentemente nada lhe diz; é com esta premissa que Burton comete o seu maior erro ao a partir de um glorioso livro que grita pura inconvecionalidade, criar uma pacata e vulgaríssima história.

Não é triste uma pessoa como eu que adora o livro, acabar o filme a pensar que viu uma sequela das Crónicas de Narnia? Reparem bem: uma jovem de 19 anos desencaixada com a realidade entra num novo mundo onde se encontra rodeada de estranhas criaturas que a guiarão até ela cumprir o seu pacto que consiste em encontrar uma espada super lendária e derrotar a rainha má para toda a gente viver em paz para sempre... eu não sei se isto é uma cópia ou não; sei que respeita todo o livro de como fazer um filme dispensável para crianças; originalidade!? hahahaha.

Outro erro insultuoso: Tim Burton opta por fazer referências intactas a momentos e personagens do livro para depois contradizer todo o objectivo de Carrol; no livro não existe linha de acção traçada, e as suas personagens estão maioritariamente associadas a histórias particulares, elas existem principalmente para desafiar todo o tipo de convencionalidades narrativas e dar ainda mais magia ao surrealismo fantástico do escritor; ou seja onde há novas personagens há sempre novos episódios; Burton resolve fazer uma espécie de esquadrão de resistência retirando todo o brilho e individualidade de cada uma das criações de Carrol de forma a tornar a trama continua.

Eu sei que a missão era outra, sei que este filme surge para ser uma obra acessível ás crianças, capaz de arrecadar um bom sucesso de bilheteira, portanto é óbvio que toda a crueza e indefinição demente do livro teria de desaparecer dando a origem a algo mais "rústico" e simples. A minha principal reclamação é...qual é o nexo de levar para a frente um projecto mainstream a partir de Alice no País das Maravilhas (livro)? O livro ganhou toda a sua fama devido a sua irreverência qual o porquê de tentar fazer algo completamente convencional a partir disso? Porque não simplesmente criar uma outra história com novas personagens....? Mas que ideia mais descabida, ao menos a adaptação animada dos anos 50 é episódica e tonta, não a história de um herói que no fim da sua missão descobre o significado da vida e sua incompatibilidade com a fantasia (a lei do crescimento uhuhuh!).

Tim Burton nunca foi um realizador pelo qual eu morresse de amores mas com isto ele mostra toda a sua falsidade infantil; aonde reside essa pureza mágica e ingénua que tu tanto resplandesces? Tu tiveste a coragem de dar um papel parcial ao gato Chesire!

Mais que uma obra falhada, isto é uma mancha de princípios numa filmografia.

publicado por Diogo às 02:29
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Oddsac (2010) Danny Perez

Oddsac é o album visual da autoria de Danny Perez alusivo à obra de uma das maiores bandas de culto contemporâneas : os Animal Collective.

Antes de mais nada queria discordar com o estatuto da obra; a música cria em nós sensações e a sua interpretação e concepção de ambientes está sempre ao critério do ouvinte, com este filme estamos a assistir à ideologia de um dos ouvintes que muito provavelmente diverge da nossa, é por e simplesmente uma produção experimental com o trabalho de uma banda como motor de fundo harmonioso e preponderante.

O filme foi ao encontro das minhas expectativas e posso afirmar que saí da sessão bem satisfeito. Apesar de ter ritmo e cooperação visual, Oddsac nem sempre consegue manter o mesmo fulgor e apesar de eu ter visto o filme de uma forma diferente (usei uma mascara para me sentir completamente isolado e entrar nesta viagem sensacionista) as minhas por vezes chamadas picuinhices vieram ao de cima, espremi o que tinha a espremer e felizmente que nunca achei que o filme pudesse ser uma obra-prima, por conseguinte não me defraudou.

Entrando no campo das "particularidades" - prefiro antes começar pelos pontos esteios deste filme:

- uma cena inicial com um poder desmedido, inteiramente coordenado, mágico e mítico, um daqueles ditos momentos que após passado a única coisa a afirmar é: "perfeito, sem nada a mudar"; num vocabulo "gíriano", um "estouro"!

- a efusiva cena inicial segue-se de uma quebra de explosão que ainda assim não deixa a intensidade descair, evidenciando tanto a versatilidade da banda como a "ilustrção alegórica" do criador.

- a cena dos girinos como eu lhe chamo (cena onde um "vortex" aparece e desaparece num emaranhado de células da vida) é para mim o grande ponto do filme, a absorção completa.

É ridiculo estar a fazer uma crítica por tópicos; os maus pontos corriam pela inglória cena final que desmitifica o índio mocho (coordenador da primeira cena), usar por mais que uma vez a ferramenta susto em cenas aparentemente inofensivas e por aí fora (como vêm eu espremi o filme e não é por alto que consigo transmitir o meu não total amor por esta obra sólida)

desculpem a minha inconstância, é a primeira vez que crítico um "álbum visual".

Não é um Stan Brakhage, mas ainda assim Oddsac,  com algumas falhas e dissonâncias consegue-nos levar para o mundo da banda, mesmo não sendo essa a nossa idealização do mundo rítmico involuntariamente entramos na dimensão criada pelos seus "deuses"; é de evidenciar que a obra  cumpre a sua missão.

publicado por Diogo às 02:27
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

Welcom to the Dollhouse (1995) Todd Solondz

Após uma obra de estreia pouco badalada por parte do controverso Todd Solondz, surge uma revigorante "segunda peça de estreia". Welcome to the Dollhouse, assume-se como a verdadeira entrada deste autor no mundo do cinema. Uma explosiva comédia negra que estuda a capacidade de sobrevivência de uma jovem inadaptada ao primeiro ciclo. Sem recorrer a elementos sensacionista e bombásticos como em Kids por exemplo, a obra evidencia à mesma um realismo desconcertante, aproveitando-se sempre do mais ínfimo pormenor e contorcendo-o com um humor perverso, a dor em expansão de dentro de uma jovem é sentido inteiramente pelo público.

A protagonista, uma pré-adolescente, Dawn Wiener (Heather Matarazzo) é uma infeliz rapariga dos subúrbios de New Jersey. A puberdade é para ela uma permanente luta contra a sua falta de beleza ou elegância. Dawn é espezinhada e humilhada tanto pelos rapazes como pelas raparigas da sua escola, e também negligenciada pela sua família.

A primeira grande cena poderosa, (transmite na perfeição irresolução desta perseguição maldosa) passa-se na cantina, onde a protagonista é acusada de ser lésbica sem fundamento e sem ter oportunidade de se defender; a vida à cruel e fica bem patenteado que este ódio nutrido pelos que a rodeiam não tem qualquer base moral ou sentimental, é por e simplesmente um incontornável sentimento de nojo!

A narrativa evolui como um catálogo dos infortúnios da protagonista: paixões, inveja, inseguranças e "retiros", esmiuçando cada detalhe desta difícil fase de transição. Solondz imprime com distinção a verdadeira temática deste filme ao não deixar que se transforme num mero sintoma de patinho feio, de facto, apesar de miserável Dawn nunca muda, nem pensa em tal.

O "material" é portanto da identificação de qualquer faixa etária, já que aqui não há acção nem mudanças simplesmente um suportar imenso de dor - aproveitando este aglomerado de tragédias, Solondz dá o toque que na minha óptica faz o filme; a obra caí num limiar perfeito e duro entre comédia fictícia e drama documental. Esta solídez desmesurável impede que o filme se desleixe em sentimentalismo ou que perca qualquer tipo de credibilidade.

Um filme com um sabor misterioso, já que a sua falta de "magia" e crueza impelem um estranho e balançado sentimento cómico-dramático. Uma bipolaridade treinada e domada. 

publicado por Diogo às 13:59
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

Iniciativa Estendal: Alienar Juventude

As minhas aulas começam esta quarta dia 15 e eu achei interessante fazer a minha primeira promoção temática, o tema escolhido é a alienação da juventude e a iniciativa consiste em seis filmes já escolhidos por mim.

Com o demorado ciclo do Cassavetes terminado e a organização "29" sem ser posta de lado, a minha ideia é terminar a iniciativa de uma forma corrida, sem pausar. 

Ainda com algumas críticas em atraso deste mês (Alice in Wonderland, Killing of a Chinese Bookie, A Woman Under the Influence, Husbands, A Single Man, 12 Monkeys, Casablanca e o ciclo de Cassavetes) mas de assegurada revisão, já que as críticas em falta de Junho, Julho e Agosto foram ignoradas, a crítica respectiva ao primeiro filme da incitava será publicada dia 16.

Obrigado pela atenção.

publicado por Diogo às 15:32
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Domingo, 12 de Setembro de 2010

The Birth of a Nation (1915) D.W.Griffith

Este notório mas também "inescrupuloso" melodrama, é o primeiro grande épico, e muito provavelmente uma das/ se não a obra mais importante de sempre. Visto nos dias de hoje, o que nos salta primeiro à vista é a estranha junção entre um sentimento delicado caseiro e um detestável racismo; quando digo estranho digo no mau sentido já que a trama aborda de uma forma atroz e quase a rasar o irónico (de tão quadrado que é o seu argumento) a xenofobia; neste filme os negros unem-se na construção de um novo império e os seus ideias quanto ao regime assemelham-se a uma omnipotência quase hitlariana, os Ku Klux Klan desfilam todo o seu "esplendor" sobre a forma de cruzados, reluzentes vingadores de Deus na terra. Todo o engenho, toda a força envolta neste grande "sopro" que deu ao cinema o estatuto de arte e de indústria, fazem-nos esquecer todo o sentido asqueroso "preso" a tal iniciativa milagrosa. 

Se virmos de perto apreciando esta obra como o esteio da sétima arte, conseguimos facilmente apercebermo-nos quais as grandes inovações deste monstro do cinema; tanto na edição como na narrativa e mesmo na produção, David Griffith criou a verdadeira maneira de se contar uma história pelo ecrã, métodos que ainda são usados nos dias de hoje sobretudo em Hollywood.

Qualquer pessoa que se intitule um cinéfilo acabara sempre por encontrar esta obra no seu caminho, nós queremos sempre ter noção de como se ergueram as nossas raízes, Artisticamente, tecnicamente e culturalmente, a importância da celebrada/desprezada obra-prima de uma hipotética guerra civil realizada por D.W.Griffith (independentemente da antipatia nutrida por tal) não pode nunca ser desvalorizada. Em 190 minutos gera-se a primeira grande narrativa cinematográfica.

Birth of a Nation só não chega à nota máxima já que eu não o admiro como "ídolo", mas sim como "pai".

O nascimento da 7ª arte.

publicado por Diogo às 03:50
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Hot Tub Time Machine (2010) Steve Pink

Hot Tub Time Machine segue um grupo de melhores amigos deprimidos com a sua vida adulta. Após uma tentativa de suicídio falhada por parte de Lou(Rob Corddry), Nick (Craig Robinson), Adam (John Cusack) e o seu sobrinho Jacob (Clark Duke) resolvem ir num fim-de-semana a um dos locais mais memoráveis dos tempos de adolescência do grupo de amigos, no âmbito de conseguir chamar Lou a razão numa aventura "terapeuto-nostálgica". Depois de uma noite de festa dentro de um jacuzzi, o grupo ao acordar apercebe-se que recuou no tempo e que se encontram em 1986. 

Quero antes de mais nada dar os parabéns ao engenhoso titulo desta obra, que para além de apelativo, encanta-se de charme de série B dando-nos um aviso de que este filme não é para ser levado a sério. E é exactamente isso que o filme é, um total e assumido amontoado de estupidez; que interessa o porquê da viagem no tempo? não se preocupem que Pink pensa em tudo e desencanta um Redbull Russo ilegal como detonador da acção (isto para os fanáticos por desafios na trama se consularem uhuhuh), ou mesmo a desimportância que dão ao efeito borboleta (referindo jocosamente a obra de mesmo nome realizada por Eric Bress) e aos efeitos que provavelmente implicara no futuro - esqueçam todas as argumentações e teorias! a obra só quer dar um agradável momento de comédia parva!

Potencial para se ascender como uma peça cómica de novos trejeitos não falta, mas o filme permanece fiel à sua essência pacata. Apesar da sua linha de acção não fugir muito à usual comédia, o argumento consegue ainda assim proporcionar leves e súbitos momentos de puro divertimento; os quatro protagonistas conseguem se interligar para conseguir dar mais vivacidade a cada cena e felizmente Cusack não se destaca relevantemente. Hot Tub Time Machine respeita todo o seu carácter ridículo; (usando a gíria) "jabarda" o que deve. Mesmo não chegando aonde podia ter ido, posso afirmar que esta obra não é uma surpresa má de toda.

Não se deixem enganar pela aparência despreocupada deste filme, porque apesar de leve e pouco profundo ou significativo, esta obra não foge à sua principal variável canônica que é o puro entretenimento. 

publicado por Diogo às 03:32
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Quarta-feira, 8 de Setembro de 2010

Blood Simple (1984) Joel Coen

Um asqueroso dono de um bar no Texas, contrata um detective corrupto para assassinar a sua mulher e o amante; só que as coisas não decorrem como planeado devido a um estranho jogo de traições.

E porque a primeira obra é sempre um passo de máxima importância na carreira de um autor, Joel Coen aliado ao seu irmão Ethan como produtor, consegue fazer de Blood Simple um testemunho do que se avizinhara nos próximos anos; todos os pontos característicos da imagem de marca destes irmãos estão presentes neste thriller surreal: uma narrativa que prende e a justaposição da violência crua com momentos sublimes e por vezes surreais do comportamento humano.

Para além de uma direcção precisa, o filme demonstra uma direcção artística muito interessante com um visual que se assemelha ao típico cheiro académico e goresco de obras marcantes com Evil Dead. A fotografia por muito boa que seja de pouco serve quando divorciada da trama, só que o trabalho visual é minucioso e apropriado para o contexto já que ajuda na criação de um ambiente surreal e de uma névoa pairante de "road movie".

Os Coen são daqueles realizadores que as cenas falam por si próprias, por isso acho que de é de grande interesse falar mais um pouco da história base e da bizarria "Coenesa" que a acompanha.

A heroína desta obra é a actual mulher de Ethan, a talentosa Frances McDormand, que interpreta o papel de Abby, a doce rapariga que rejeita o seu malfadado marido Marty (Dan Hedaya). O coração do filme é o repudio e o orgulho ferido que o homem traído sente para com a sua mulher e o seu amante (Tom Wopat), e a vingança que ele prepara para desencadear. Como já referido, para o trabalho sujo é contratado um detective corrupto, Visser (Emmet Walsh). Evoluindo sobre a forma de um noir contemporâneo, a acção decorre a partir da ira de dois homens e do distanciamento que uma mulher tenta manter de tal enfurecimento. A obra rapidamente esgueira-se para outro parodoxo; a partir de um argumento simples mas intenso nasce um novo contexto e uma nova realidade. Marty passa grande parte do filme aparentemente morto, de diversas maneiras em diversas situações mas a sua presença é sempre sentida e se de facto ele está morto nós nunca acabamos por saber... o filme tenta-nos incutir a algo, e a bipolariedade das personagens ajuda no processo; estamos sempre à espera que Marty surja do nada, ou que Abby a qualquer momento seja morta ou que haja um verdadeiro confronto entre Ray (o amante) e Marty...estes chamemos-lhe pressupostos tem origem na maestria com que Joel Coen consegue hipnotizar o público atrávés de alterações bruscas de auras. Através de tanta imprevisibilidade nasce em nós a ânsia e os fantasma do que parece destinado a acontecer assombram a nossa visualização.

Uma bela e imprevisível obra de estreia que se eleva ao nível que os seus criadores conseguiram atingir com o passar dos anos.

publicado por Diogo às 02:30
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