Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

Onde Jaz o Teu Sorriso? (2001) Pedro Costa

"Era uma vez, um pequeno cineasta. Ainda não era bem cineasta e já era ameaçador. Pequeno e já era ameaçador? Pequeno e já cineasta. Ainda é só um cineasta que ameaça mas já suficientemente cineasta para terem sentido para sentirem para lhe terem feito sentir, para lhe fazerem sentir que é que era ameaçador, com o seu cinematógrafo. Que o seu cinematógrafo é ameaçador, que ele ameaçava, que ele ameaça o cinema, com o seu cinematógrafo por causa do seu cinematógrafo. Que o cinematógrafo ameaça o cinema. Cineasta para que se saiba que o seu cinematógrafo ameaça o cinema. Que o seu cinematógrafo seja ameaçador, seja uma ameaça."

Um exercício de estudo sobre o mecanismo e o perfeccionismo por detrás da rodagem. Segundo Godard a melhor obra sobre cinema de sempre. O filme não teria o mesmo ritmo ou charme, se não tivesse as "interpretações" latentes do espirituoso Danièle Hullet e da austera Jean-Marie Straub.

publicado por Diogo às 14:51
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Au Hasard Balthazar (1966) Robert Bresson

Esta é unicamente a minha segunda obra de Bresson, e o que é que eu posso dizer? O autor francês conseguiu encontrar num burro o seu actor perfeito.

A tão reconhecida distância emocional com que o realizador insiste existir nos seus actores é abordada desta vez de uma forma pouco ortodoxa, mas muito eficaz! De facto o verdadeiro "segredo" de autores como Ozu ou o próprio Bresson está na forma como estes contrariam a génese de uma personagem. Um actor dá-se normalmente a conhecer ao público, Bresson contraria o suposto e fecha os seus intérpretes de forma a fazer com que o público nutra algo mais que o normal sentimento necessário para o envolvimento para com a trama,  algo que o obrigue a alcançar a essência da acção e do comportamento da personagem.

Com o burro Balthazar o brilhante autor francês desenha dois filmes: uma perfeita alegoria do desgaste físico e mental humano devido as sucessivas placagens deferidas pelo mundo; e a história sobre um burro, animal conformado como tantos outros, que jamais manifesta as suas emoções, independetemente das acções do exterior. O autor varia entre estas duas grandes narrativas sem nunca perder o fio à meada. O vulgar burro de carga que se mantem distante da crescente acção que o rodeia, num abrir e fechar de olhos revoluciona-se como La Fontainte e começa a resolver contas matemáticas para o delírio do público, personificando os 15 minutos de fama que o homem tanto almeja.

Um pequeno grande (enorme) filme, que de alguma inapalpável forma me abriu as portas do verdadeiro talento que reside na cinematografia do autor francês.

A visualização de uma nova obra de Bresson estará para breve...

publicado por Diogo às 22:05
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

.Fevereiro 2011

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28

.posts recentes

. Onde Jaz o Teu Sorriso? (...

. Au Hasard Balthazar (1966...

.links

.arquivos

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010