Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

Possession (1981) Andrzej Zulawski

A mulher como mulher, amante, mãe e esposa. A mulher e a idealização de todas as suas facetas.

Possession é um filme duríssimo sobre tudo isto, que se explora por entre os caminhos do fantástico demente. Não se deixem enganar pelo titulo...não, não é uma mulher possuída mas sim uma mulher que tomou posse da sua vivência.

Isabelle Adjani interpreta o papel dessa mulher que se desvia pelo indefinido de forma a viver! "É nos prometida uma enorme estabilidade após uma enorme dor".

O novo, o incentivo à mudança, surge esculpido sobre a forma de larva humana que faz de carcaças alheias o seu casulo, e Adjani alimenta-o, cuida-o, ama-o, esquecendo o seu marido, filho e amante.

 

Tenho pena que o realizador polaco tenha criado tamanha realidade distorcida envolta na separação de um casal enquanto tratava do divórcio.

publicado por Diogo às 20:59
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Domingo, 9 de Janeiro de 2011

Nostalghia (1983) Andrey Tarkovskiy

E com Nostalghia, vejo me de volta às obras do realizador que mais me assombra, Andrey Tarkovskiy.

Este filme de 1983, é a meu ver a menor obra (dentro dos filmes que já visualizei) do autor, o que não significa que seja mau, antes pelo contrário! Com esta obra o realizador russo convence-me de que o seu maior "defeito" é não conseguir fazer mau cinema.

Nostalghia é uma divagação da angustiosa saudade do país natal em fusão com a capacidade criativa. Mais uma vez, como acontece em Offret, o autor estende ao longo do crescendo do filme, um caminho todo ele espiritual de forma a levantar os fantasmas do passado, que impulsionaram o protagonista a alcançar a sua redenção final.

Esta senda assombrosa mas previsível, faz com que o filme atinja um estado de transe, o que me leva a crer que Nostalghia é sem sombra de dúvida a obra mais "elegante" do autor. Ao invés de acompanharmos emotivamente todo o dissecar do poderoso objecto em estudo (a humanidade) lentamente e despreocudamente deixa-mo-nos embalar pelos laivos suspiros da morte. Mesmo após um glorioso e trágico final, em que a luz se sobrepõe ao cataclismo real, nós não queremos deixar este mundo, esta jornada.

O apaixonante elemento hipnótico do filme é também a sua grande falha, ao denotar um certo pretenciosismo por parte do autor e por vezes uma faceta auto-indulgente. Tarkovskiy parece-me em certos momentos incapaz de dar um novo fôlego a esta sua saga, e por vezes as cenas revelam-se longas de mais de forma a não interromper abruptamente a transe imposta, o autor conseguia mais.

publicado por Diogo às 16:14
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