Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

Du Levande (2007) Roy Andersson

Du Levande é a primeira obra estriada em Portugal em 2011, que eu tive a oportunidade de ver (não nas salas de cinema) e é um belíssimo filme.

Cada história é um só enquadramento, dando ao filme um aspecto estrutural episódico, mais precisamente uma colecção de sketchs cómicos. Com traços semelhantes a Kusturica e sobretudo Fellini, Andersson desenvolve esta sua exploração sobre a ansiedade, a alegria e o desespero do homem. Um filme sobre ele, um filme sobre nós!

Os intérpretes em questão, têm todos ele um fina cama branca que lhes cobre a cara, dando um aspecto espectral de morto-vivo, como se estes vagueassem fazendo do seu corpo a sua carcaça; o desespero do homem e parece-nos tudo tão absurdo neste novo universo, mas...sentimos esse absurdo, da mesma forma que ficamos perplexos com as peripécias que a vida nos reserva.

Mas o de mais fascinante nesta obra, é o espectador conseguir sentir uma leveza de alma, depois de ver quase 90 minutos de pura tragédia pessoal! Roy Andersson acredita que a salvação está no ridículo, e nós por momentos também...

publicado por Diogo às 14:51
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

Onde Jaz o Teu Sorriso? (2001) Pedro Costa

"Era uma vez, um pequeno cineasta. Ainda não era bem cineasta e já era ameaçador. Pequeno e já era ameaçador? Pequeno e já cineasta. Ainda é só um cineasta que ameaça mas já suficientemente cineasta para terem sentido para sentirem para lhe terem feito sentir, para lhe fazerem sentir que é que era ameaçador, com o seu cinematógrafo. Que o seu cinematógrafo é ameaçador, que ele ameaçava, que ele ameaça o cinema, com o seu cinematógrafo por causa do seu cinematógrafo. Que o cinematógrafo ameaça o cinema. Cineasta para que se saiba que o seu cinematógrafo ameaça o cinema. Que o seu cinematógrafo seja ameaçador, seja uma ameaça."

Um exercício de estudo sobre o mecanismo e o perfeccionismo por detrás da rodagem. Segundo Godard a melhor obra sobre cinema de sempre. O filme não teria o mesmo ritmo ou charme, se não tivesse as "interpretações" latentes do espirituoso Danièle Hullet e da austera Jean-Marie Straub.

publicado por Diogo às 14:51
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

Trash Humpers (2009) Harmony Korine

Partam do princípio de que Trash Humpers não é um "filme", mas sim uma "simulação". O espectador tem de seguir os passos aconselhados pelo realizador antes do visionamento da obra. É preferível eu falar por Korine quanto às "indicações" prévias: Imaginem-se num local digamos... hostil por onde vocês já passaram mais que uma vez. Encontram o que parece ser uma cassete de vhs com aspecto de que não foi esquecida, simplesmente faz parte desse local, e sem qualquer tipo de identificação; por curiosidade levam-na para casa, porque vocês tem um leito de vhs. Sem qualquer tipo de expectativa, só mesmo por curiosidade, colocam a cassete dentro do leitor para ver se esta contem algo. Agora concentrem este prólogo como se tivesse sido de facto realidade...já está? Se sim já podem ver o filme.

Korine volta de novo ao mundo de uma surreal, mas verossímil realidade retratada parcialmente em Gummo.

Trash Humpers, é uma interessante experiência cinematográfica que acompanha um trio mascarado de velhotes que ocupam os seus tempos a vaguear, destruir, cantarolar e sobretudo a "acasalar" com todo o tipo de objectos que surgem (daí o nome da obra).

Um filme de curta de duração, com uma narrativa não linear e sem uma linha de acção concreta. Desta vez Harmony Korine leva ao extremo a sua poesia figurativa descomprometida da justificação, e não o faz mal. Filmado em 8 milímetros, segurada à mão, a câmara deambulante torna este mundo criado por Korine credível; as próprias falhas da cassete ajudam-nos a acreditar que de facto alguém filmou por acaso estes momentos e de algum esta obra veio ter às vossas mãos.

Na minha opinião com a sua última obra, Harmony Korine consegue expor melhor este seu imaginário, que transposto para o nosso mundo repleto de maldades inimagináveis não soa de todo a desencaixado, melhor do que em Gummo. Mas esta obra contém uma grande falha...exige de mais do espectador. De certa forma é nos pedido um prévio "trabalho de casa" de forma a sentir com a maior intensidade o seu conteúdo, mostrando que só por si Trash Humpers não consegue de todo enquadrar-se em qualquer tipo de interpretação ou justificação plausível.

Fico feliz que esta obra exista, mas é proibidio ao autor americano, voltar a repetir a experiência. Não é necessário haver duas Torres "Eiffeis".

publicado por Diogo às 17:10
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